Brasileiro inadimplente deve três vezes o que ganha. Como sair dessa?


Maior parte das dívidas foi feita nos últimos três anos, período que coincide com a grave crise econômica do país.

Soraia dos Santos se endividou para fazer uma faculdade; Fábio Chagas para ajudar seu amigo; e Roberto Pereira para montar uma empresa. Os três pegaram crédito por diferentes motivos, mas hoje vivem o drama de milhares de brasileiros que não conseguem pagar as contas em dia. Com renda em queda e desemprego, as dívidas saem rapidamente do controle.

Uma pesquisa da empresa de recuperação de crédito Recovery, feita pelo Data Popular, mostra que hoje o brasileiro inadimplente deve, em média, três vezes o que ganha e, em alguns casos, acumula até 20 dívidas diferentes, uma após a outra.

O número de inadimplentes é o maior dos últimos 10 anos! “Diferentemente de outros períodos, a inadimplência elevada não é resultado de excesso de endividamento — até porque a carteira de crédito está em queda”, diz Luiz Rabi, economista da Serasa Experian. “Não é que o brasileiro está se endividando além da conta, é justamente o impacto da crise, com o desemprego em nível recorde. Não é que ele não quer pagar – ele não tem é dinheiro.”.

Na pesquisa feita pela Recovery, o inadimplente tem várias caras e foge de qualquer estereótipo. Um quarto dos endividados pertence à classe alta e 40% têm ensino superior, sendo que 10% são pós-graduados. Na média, cada brasileiro inadimplente tem três dívidas acumuladas, que somam R$ 8.370.

O diretor do Data Popular, Dorival Mata-Machado, afirma que a pesquisa mostrou uma nova percepção da população brasileira em relação à inadimplência. “As pessoas estão menos preocupadas com seu nome sujo e mais com o que é justo.”. Isso significa que os devedores têm aceitado melhores condições de pagamento, com descontos maiores e juros menores. Mas essa percepção só aparece quando a empresa de cobrança entra em contato diretamente com os inadimplentes para receber a dívida.

Esse quadro, aos poucos, vai se modificando. Segundo Mata-Machado, do Data Popular, os jovens são os que mais fazem exigências no acerto de contas, por estarem mais conscientes. “Essa população cresceu num período de bonança. Se estivesse com o orçamento apertado, fazia um bico, se endividava e corria atrás. Hoje eles estão tendo de fazer mais contas.”.

De qualquer forma, a maioria dos inadimplentes quer renegociar a dívida, especialmente para voltar a consumir. Embora 79% deva mais para os bancos, é no comércio que o número de dívidas per capita é maior. São 2,59 dívidas por inadimplente.

Embora uma alternativa recomendada para os devedores seja trocar uma dívida cara por uma barata (ex: trocar uma dívida do cartão de crédito por uma de crédito consignado), quando o montante for muito grande, aconselha Poljokan, o ideal é insistir na renegociação, seja do valor, dos prazos ou condições.

Veja abaixo oito dicas do Procon para sair da situação de endividamento:

1 – Quite suas dívidas diretamente com os credores, evitando intermediários.

2 – Jamais recorra a agiotas para pagar uma dívida, assumindo outra de valor muito maior.

3 – Procure substituir dívidas com juros maiores, por financiamentos com juros menores, por exemplo, evite a utilização do limite do cheque especial ou o pagamento do mínimo no cartão de crédito, optando por empréstimo consignado, pois os juros são mais baixos.

4 – Negocie prazos maiores para pagamento, em parcelas menores ou o abatimento substancial para a liquidação da dívida à vista.

5 – É direito do consumidor exigir do fornecedor o detalhamento do que está sendo cobrado.

6 – Exija, por escrito, tudo que foi combinado verbalmente.

7 – Guarde sempre os comprovantes dos pagamentos efetuados.

8 – Após a realização do acordo ou do pagamento do débito, seu nome deverá ser retirado de cadastros de inadimplentes no prazo de 48 horas contados da comprovação do pagamento, de acordo com a Lei Estadual 15967/08.

Veja também: O que é e como funciona o refinanciamento do empréstimo consignado?.

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