É preciso ter cautela para usar o FGTS como garantia para empréstimo consignado


O risco de endividamento dos trabalhadores é muito alto!

A liberação do empréstimo consignado para trabalhadores da iniciativa privada tendo como garantia o FGTS para liquidar o crédito com desconto em folha é visto com cautela por especialistas. Se por um lado a inciativa vai injetar dinheiro na economia e livrar o empregado de possíveis dívidas no presente, por outro pode deixá-lo sem sem reservas financeiras no futuro. A advertência é da economista Myrian Lund, professora dos cursos de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV).

“A população brasileira não teve aulas de educação financeira. Então corre o risco de se endividar ainda mais”, alerta a professora. De acordo com as regras, os juros oferecidos pelos bancos não podem ser maiores do que 3,5% e deverão ser usados 10% do saldo do fundo e 100% da multa rescisória, que é de 40% sobre o total depositado pelo empregador, como garantia para pegar o empréstimo.

Como a parcela é descontada diretamente do salário, o risco de calote para o banco que emprestar é reduzido. Já para o empregado representa menos reservas no fundo, segundo a economista.

“Em tempo de crise econômica, de déficit no INSS, mudanças no sistema de aposentadoria, usar recursos que podem ser sacados quando for aposentar, por exemplo, para fazer dívida é comprometer o futuro”, adverte Myrian.

Opinião similar tem o professor de Economia do Ibmec e da Fundação D. Cabral, Gilberto Braga. Ele orienta o trabalhador que quiser fazer esse tipo de empréstimo a avaliar a real necessidade para evitar um endividamento futuro. “É preciso não pegar o dinheiro por impulso. Isso compromete o orçamento doméstico”, diz Braga.

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